terça-feira, 14 de janeiro de 2025
segunda-feira, 13 de janeiro de 2025
A Construção de Elevadores Espaciais no Sistema Solar: Uma Revolução Tecnológica e Social
A Construção de Elevadores Espaciais no Sistema Solar: Uma Revolução Tecnológica e Social
1. Introdução ao Conceito de Elevadores Espaciais
Os elevadores espaciais são estruturas projetadas para transportar materiais e pessoas da superfície de um corpo celeste até a órbita. A ideia, originalmente concebida no século XX, tornou-se viável no início do século XXII com avanços em nanotecnologia e materiais ultrarresistentes. Este capítulo examina o conceito básico, destacando sua simplicidade teórica e complexidade prática.
Inicialmente, o conceito era considerado utópico devido à ausência de materiais fortes e leves o suficiente para suportar as tensões extremas. No entanto, com o desenvolvimento do nanotubo de carbono e, posteriormente, do polímero grafênico ultracristalino, a ideia passou de ficção para uma possibilidade realista.
As vantagens dos elevadores espaciais sobre os foguetes tradicionais são enormes: redução drástica de custos, maior segurança e a possibilidade de operação contínua. Este capítulo também aborda as limitações iniciais que levaram a um longo período de pesquisa antes de sua implantação.
A colonização do sistema solar trouxe uma demanda crescente por métodos eficientes de transporte orbital, solidificando a relevância desse conceito. Nas próximas seções, exploraremos como essas estruturas revolucionárias foram concretizadas.
2. O Contexto Histórico e as Motivações para a Construção
A construção do primeiro elevador espacial na Terra foi motivada por uma combinação de necessidades econômicas, políticas e ambientais. No início do século XXII, o aumento exponencial das missões espaciais gerou pressões significativas sobre os recursos terrestres e as emissões de gases de efeito estufa.
O aumento da competição entre potências espaciais como os Estados Unidos, a Federação Eurasiática e a União Pan-Pacífica levou à formação do consórcio "Ascensio Global", que coordenou o projeto inicial. Além disso, os avanços no uso de recursos extraterrestres, como a mineração de asteroides, aumentaram a necessidade de infraestrutura de transporte orbital.
Neste período, a Terra enfrentava desafios ambientais sem precedentes, o que estimulou o financiamento de tecnologias sustentáveis. A construção do elevador espacial não apenas prometia avanços tecnológicos, mas também simbolizava uma nova era de cooperação global. Assim, o projeto foi promovido não apenas como uma solução prática, mas também como um marco cultural.
O sucesso inicial na Terra abriu caminho para projetos semelhantes em Marte, Ganimedes e Titã, cada um adaptado às condições únicas desses corpos celestes.
3. Planejamento e Viabilidade Econômica
Planejar a construção de um elevador espacial exigiu uma abordagem multidisciplinar envolvendo engenharia, economia, e política internacional. Estudos de viabilidade no final do século XXI estimaram custos superiores a trilhões de créditos globais, levando à criação de parcerias público-privadas.
O modelo econômico incluiu o uso de "obrigações orbitais", títulos financeiros garantidos pela capacidade futura de transporte. Este esquema foi crucial para atrair investidores privados e garantir financiamento a longo prazo.
Na época, avanços na mineração espacial também contribuíram para reduzir custos, pois grande parte dos materiais foi extraída de asteroides e corpos celestes próximos. Isso eliminou a necessidade de transportar recursos pesados a partir da Terra, reduzindo drasticamente as despesas logísticas.
A cooperação entre diferentes nações e corporações também desempenhou um papel vital. A partilha de custos e a distribuição de benefícios entre as partes interessadas aceleraram o progresso, estabelecendo um precedente para futuros projetos interplanetários.
4. Os Materiais Revolucionários Utilizados
A viabilidade técnica dos elevadores espaciais tornou-se possível apenas com o desenvolvimento de materiais avançados. Entre eles, o polímero grafênico ultracristalino destacou-se como a base para o cabo principal.
Este material, capaz de suportar tensões superiores a 100 GPa, foi desenvolvido por cientistas do Instituto Lunar de Materiais Avançados em 2142. Suas propriedades incluem leveza extrema, resistência à radiação e capacidade de autoreparação em caso de danos menores.
Outra inovação crucial foi o desenvolvimento de revestimentos inteligentes capazes de mitigar os efeitos da erosão causada por micrometeoritos e detritos espaciais. Esses revestimentos, baseados em nanorobôs autônomos, tornaram os cabos altamente duráveis.
O uso de materiais locais, como ferro-níquel extraído de asteroides próximos, foi outro fator decisivo. Essa abordagem reduziu custos e promoveu a sustentabilidade do projeto, marcando o início de uma nova era na engenharia de grande escala.
5. A Engenharia do Projeto
Projetar um elevador espacial é uma tarefa monumental que exige soluções inovadoras para desafios mecânicos, estruturais e ambientais. O sistema central do elevador é composto por um cabo tencionado entre a superfície do planeta e um contrapeso em órbita geossíncrona ou equivalente, dependendo do corpo celeste.
Uma das primeiras dificuldades foi garantir a estabilidade do cabo frente a forças gravitacionais, radiação solar e variações de temperatura. Para isso, simulações computacionais de alta precisão foram conduzidas, envolvendo supercomputadores baseados na Terra e em Marte.
Além disso, o projeto precisou incorporar sistemas de propulsão magnética para os "climbers", os veículos que se deslocam ao longo do cabo. Esses sistemas utilizam motores de levitação magnética (maglev) alimentados por energia solar e reatores de fusão compactos, garantindo eficiência e sustentabilidade.
A integração de tecnologias de sensores também foi fundamental. Esses sensores monitoram continuamente a tensão no cabo, a presença de micrometeoritos e variações ambientais, permitindo ajustes em tempo real para evitar falhas catastróficas.
6. O Processo de Construção
A construção do primeiro elevador espacial na Terra começou em 2220 e levou mais de três décadas para ser concluída. Este processo exigiu a colaboração de milhares de engenheiros, cientistas e trabalhadores de diversos planetas e estações espaciais.
Inicialmente, satélites robóticos foram lançados para posicionar o contrapeso em órbita geossíncrona. Em seguida, nanorobôs autônomos começaram a construir o cabo a partir do contrapeso em direção à superfície. Esse método reduziu o risco para trabalhadores humanos e acelerou significativamente o processo.
Para estabilizar o cabo durante a construção, foguetes autônomos foram utilizados para ajustar continuamente sua posição. Essa fase inicial também contou com a criação de estações de suporte em diferentes altitudes, que serviam como pontos de ancoragem temporários.
Uma vez que o cabo alcançou a superfície, equipes humanas assumiram a construção das infraestruturas terrestres, incluindo os terminais de embarque e os centros de controle. A conclusão do projeto marcou um dos maiores feitos da engenharia humana, estabelecendo um modelo replicável para outros corpos celestes.
7. A Utilização de Trabalhadores Humanos e Máquinas Robóticas
A construção dos elevadores espaciais combinou o melhor da engenharia humana e da robótica avançada. Nos estágios iniciais, máquinas robóticas desempenharam um papel crucial, especialmente em ambientes extremos ou perigosos, como a alta órbita terrestre ou as atmosferas densas de outros planetas.
Robôs autônomos, controlados por inteligência artificial avançada, foram programados para executar tarefas como soldagem, montagem de componentes e reparos. Essas máquinas possuíam sistemas de aprendizado adaptativo, permitindo que ajustassem suas operações de acordo com condições imprevistas. Em particular, os nanorobôs usados para fabricar os cabos principais representaram uma inovação sem precedentes, construindo o material camada por camada com precisão molecular.
No entanto, trabalhadores humanos continuaram indispensáveis. Engenheiros e técnicos especializados supervisionaram as operações, garantindo que os sistemas robóticos funcionassem corretamente. Além disso, as etapas finais da construção, como a instalação dos terminais terrestres e das estações orbitais, exigiram criatividade e capacidade de resolução de problemas, algo que as máquinas, até então, não podiam replicar completamente.
A colaboração entre humanos e robôs foi um marco para a engenharia espacial. A experiência acumulada nesse projeto estabeleceu novas normas para megaprojetos em todo o sistema solar.
8. A Órbita Alcançada e os Contrapesos Utilizados
Os elevadores espaciais na Terra e em outros planetas foram projetados para alcançar órbitas geossíncronas específicas, garantindo estabilidade operacional. No caso da Terra, o ponto de ancoragem orbital situava-se a aproximadamente 35.786 quilômetros acima do nível do mar, enquanto em Marte, devido à sua gravidade mais baixa, a órbita era significativamente mais baixa, em torno de 17.000 quilômetros.
Os contrapesos eram fundamentais para manter o cabo sob tensão constante. Na Terra, grandes asteroides capturados no cinturão de asteroides foram reposicionados para servir como contrapesos. Esses corpos celestes foram escolhidos devido à sua densidade e disponibilidade. Já em Marte e nas luas jovianas, contrapesos artificiais foram fabricados usando materiais extraídos localmente, como ferro-níquel.
Além de sua função estrutural, os contrapesos também serviam como estações científicas e de observação. Equipados com telescópios e laboratórios avançados, contribuíram para a pesquisa espacial, explorando os limites do sistema solar.
9. Tecnologias Desenvolvidas para os Elevadores Espaciais
A construção dos elevadores espaciais impulsionou o desenvolvimento de várias tecnologias que posteriormente foram aplicadas em outros campos. Uma dessas inovações foi a criação de sistemas avançados de armazenamento e transmissão de energia. As plataformas orbitais utilizavam painéis solares ultraleves e eficientes para alimentar as operações do elevador, estabelecendo novos padrões de eficiência energética.
Outra inovação foi o desenvolvimento de sistemas de comunicação quântica para coordenar as operações entre a superfície e a órbita. Essa tecnologia garantiu uma transmissão de dados instantânea e segura, evitando interferências.
Os sistemas de levitação magnética usados nos climbers também representaram um avanço significativo. Esses motores maglev foram posteriormente adaptados para uso em trens super-rápidos e em outras aplicações industriais, promovendo uma revolução nos transportes terrestres.
Essas tecnologias não apenas garantiram o sucesso dos elevadores espaciais, mas também moldaram o progresso tecnológico em várias áreas da sociedade.
Nota: O texto continuará com os tópicos subsequentes para abranger todos os aspectos solicitados.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2024
Carta ao Presidente
Excelentíssimo senhor presidente, Não tenho pretensão de que o senhor venha, de fato, a ler esta carta. Até confesso uma expectativa ingênua de que, num daqueles cisnes negros ou cinzas de Nassim Taleb, numa sucessão de encaminhamentos por e-mail ou WhatsApp, este documento possa um dia vir a encontrá-lo. Mas não é essa minha real perspectiva. É um exercício platônico a princípio, que nos ajuda a pensar o Brasil. Reconheço no senhor, entre outras virtudes, a capacidade de contar boas histórias. Arrisco-me, então, por essa via, já ciente de que, aqui ou ali, este texto pode transmitir uma proximidade que não temos, nem nunca teremos. Sei meu lugar no mundo. Mas o senhor é sempre tão espontâneo e empático em suas interações que parece autorizar essa aproximação. Desde que assisti a “Entreatos”, me vi algumas vezes esboçando um diálogo mental com o senhor. Até tentei tangibilizá-lo certa vez, quando pretendia realizar “Uma Conversa pelo Brasil”, mediando um debate entre o senhor e Fernando Henrique Cardoso. Conversei longamente com Paulo Okamoto. O senhor pode conferir com ele. Por alguma razão, não foi pra frente. Lamento, pois entendo que seria muito rico, um documento histórico. De algum modo, portanto, materializo hoje uma conversa que já tive algumas vezes comigo mesmo. Eis um causo verdadeiro para começarmos: Por alguns anos, convivi com um grande executivo, líder de reestruturações profundas nas maiores empresas do Brasil. Ficou tão reconhecido e renomado que virou empresário, montou sua própria consultoria. Foi conselheiro de banco grande. Olha, posso lhe dizer: era um notável. Como eu admirava aquela inteligência, a altivez e a retidão. Deu-se muito bem financeiramente também — ao menos por um tempo. Acumulara patrimônio de R$ 150 milhões, até que… A última esposa tirou-lhe tudo. A confiança nos amigos, a convivência com os filhos, o ouvido dos conselheiros mais sábios e próximos (ah, como eram importantes!), os prazeres individuais e, claro, o dinheiro. Ela preparava um tipo de chá especialmente viciante, que, imagino, o senhor, assim como eu, deva conhecer também. Perigosíssimo. Um tipo de feitiço capaz de convencer-lhe de que apenas ela era capaz de cuidar dele e só ela o amava. Ao adicto, só importa o vício. Ao final, meu amigo empresário, que eu tanto admirava, morreu com R$ 20 milhões de dívidas. A família precisou socorrê-lo financeiramente para pagar a conta no Einstein. É uma anedota particular na tentativa de promover uma reflexão mais geral. Tio meu sofreu do mesmo mal. Isto me parecia impensável há alguns anos, mas devo confessar-lhe: sinto saudades de Dona Marisa. Tudo bem, ela tinha um gosto meio peculiar para imóveis no Guarujá, mas, dadas as circunstâncias e tudo que se seguiu, essa é uma questão quase irrelevante, vira uma nota de rodapé. Reconheço, presidente, como deve ser difícil equilibrar-se entre o militante de esquerda e o presidente, historicamente, pragmático. Mas escrevo-lhe fundamentalmente porque encontro uma brecha para isso. Há um espaço retórico para que o senhor comece a respeitar a aritmética elementar das contas públicas sem precisar se afastar de sua base eleitoral. Uma oportunidade talvez única para que o senhor recomece este governo. Dois pilares estruturantes fundamentariam sua narrativa. O primeiro é de cunho mais pessoal. O senhor acaba de passar por risco de morte. Isso pode mudar a perspectiva de vida de qualquer um. Ninguém quer morrer com rancor ou ressentimento do pai, da mãe, do irmão. Todos são capazes de entender isso, porque, de algum modo, vivenciaram algo semelhante na própria família. Segredo nosso, presidente: eu mesmo gostaria de ter tido uma última conversa com meu pai, para sublimar certas divergências. Não pude tê-la, o que me custou alguns anos e milhares de reais em terapia. Para um político, ainda mais da dimensão do senhor, encerrar a jornada de forma ressentida com metade da população não me parece o fechamento que todos mereciam. O clima de Natal é propício para isso, dê a outra face mesmo a seus críticos vorazes. O “Lula Paz e Amor” governando como o Ubermensch de Nietzsche, acima desse discurso polarizado idiota de uma guerra do bem contra o mal. O senhor leu o Eduardo Giannetti hoje no Estadão? Implemente no governo (e não apenas na eleição) a ideia da Frente Ampla, acolhendo também o outro lado. Mandela brasileiro. Por que descer ao nível de seu adversário derrotado colocando-se como antagonista numa briga que já foi ganha? O outro é menos pessoal. Obedece a uma espécie de materialismo histórico. Estamos chegando à metade do seu governo. Adote o discurso de que cumpriu o objetivo nesses primeiros dois anos. Reduziu a miséria e salvou a democracia brasileira de minutas capazes de nos lembrar que “Ainda estou aqui” é muito mais do que um belo filme, mas também um recado a respeito da sobrevida de alguns de nossos fantasmas. Feito isso, superadas essas questões fundamentais, o senhor poderia iniciar uma nova fase, cuja essência juntaria responsabilidade fiscal à social — afinal, é impossível haver, de maneira sustentada, a segunda sem a primeira. Colherá os frutos políticos disso. Talvez o senhor ainda não tenha tanta clareza sobre o processo, mas a verdade é que não há opção. Os poucos conselheiros que lhe restaram, os falsos amigos incapazes de dizer que “o rei está nu”, podem insistir em dizer: está tudo bem. A economia cresce a bom ritmo, o desemprego está baixo, a inflação não disparou. A confiança do consumidor está alta, o índice de miséria (soma da inflação e do desemprego) lhe é favorável e sua popularidade se mantém em níveis competitivos. Na dicotomia que existe entre Main Street e Wall Street, a segunda costuma estar certa, porque consegue olhar em perspectiva. A foto não condiz com o filme. “Eu sou você amanhã”, para usar as palavras de um gestor consagrado. Com o dólar acima de R$ 6, indo para R$ 7 ou R$ 8 rapidamente se as coisas não mudarem, a inflação de 2025 deve ser superior a 6%. A curva de juros aponta Selic terminal acima de 16%. Não sei se chegará a tanto, mas o aperto monetário em curso vai bater na atividade. O desemprego aumenta. Já temos contratado um incremento do índice de miséria. É inexorável. A inflação já vai subir. E se o senhor tentar impedir o aumento do desemprego, mantendo o pé na tábua fiscal, só vai jogar querosene nessa fogueira, pois ficará ainda mais claro que a dívida é insustentável. O dólar vai disparar. Perderemos a moeda e a inflação virá a galope. Não haverá como manter sua popularidade. Diante de uma sociedade muito dividida, de uma marcha mais à direita nas eleições municipais, de um zeitgeist contrário ao incumbente e à constelação de progressismos adotada pela esquerda (veja Milei ou Trump; ou mesmo o que deve acontecer no Canadá, no Chile e na Colômbia — a exceção é o México), a continuar dessa forma, o senhor (ou seu indicado) perderá as eleições. Talvez, percebendo a derrota, o senhor nem concorra em 2026. Dirá que ganharia se concorresse, mas a saúde e/ou a idade avançada lhe tiraram do pleito. Como a história não tem o contrafactual, a afirmação será não-falseável. Assim, poderá, quem sabe, salvar o lulismo para além do Lula, mas não conseguirá salvar a si. Está previsto um pronunciamento do senhor hoje na TV. Espero que vá na direção da “União Nacional”, sem o sectarismo do “nós contra eles”, sem os ataques difusos, inférteis e mentirosos sobre a Faria Lima ou “o mercado”, um inimigo sem rostos. Sinceramente, mesmo se for por esse correto caminho, ainda será pouco. Primeiro pela simples razão de que palavras não pagam dívidas. O senhor saiba: não há mais o benefício da dúvida. Qualquer vestígio de credibilidade foi embora. A situação só será corrigida com medidas concretas, tangíveis e críveis. Os acontecimentos recentes arrastaram também a credibilidade do ministro Haddad. Não por incompetência dele ou falta de vontade individual, mas pela percepção de que, no final do dia, qualquer ministro é fraco diante do senhor. Este governo é essencialmente personalista e a mudança real há de vir do Presidente, na comunicação explícita e nas medidas concretas apoiadas pela sua figura. O segundo ponto para irmos além do pronunciamento de hoje: palavras faladas dizem menos do que o registro por escrito. “Verba volant, scripta manent”…. O senhor se lembra do peso dessas palavras. Escreva uma "segunda carta ao povo brasileiro". Aqui está entre aspas por deliberação e rigor. Precisa ser com este título mesmo, para suscitar a associação imediata com a primeira. O conteúdo será conhecido a partir do próprio título, sem nem precisarmos ler. Nela, o senhor poderá apoiar-se sobre os dois pilares supramencionados, explicitando como a segunda metade do seu mandato terá uma postura de Estadista. Para isso, precisaremos cuidar do Brasil para além de seu mandato. As futuras gerações herdarão uma dívida controlada e uma moeda capaz de preservar valor. Por isso, o senhor fará um plano fiscal criterioso, rígido e amplo, com vistas a estabilizar rapidamente a trajetória dívida sobre PIB. Coloque essa meta em pé de igualdade com a redução da miséria (afinal, elas são mesmo correlacionadas). Explicite um objetivo maior: recuperar o investment grade, conquistado no seu governo lá atrás e perdido posteriormente. Reconheça a dificuldade da conquista, mas coloque seu capital político a favor dela, apontando medidas concretas em prol de sua realização. Tornar o arcabouço fiscal consistente e sustentável é, sim, uma meta, mas só o primeiro passo de uma estratégia maior, que visa a retomada do grau de investimento até o final de 2026. Demonstre a sua típica ambição e seu pensamento grandioso, normalmente aplicados a indicadores sociais e a participação internacional do Brasil, também na esfera fiscal. Se quisermos e nos empenharmos na direção correta, podemos ir muito além do que os cálculos de melhorias marginais, incrementais e lineares das planilhas de Excel costumam sugerir. Não precisamos ir longe. Olhe a Argentina. Alguém diria que ele seria capaz de fazer tanto em tão pouco tempo? Na Carta, com letra maiúscula para reforçar sua importância, anuncie a criação de seu DOGE. Convide Pérsio Arida e Henrique Meirelles para sua composição. Eles chegaram a aparecer ao seu lado na campanha. O senhor tem a narrativa. A competência de ambos é inquestionável, amplamente reconhecida. O dólar voltaria imediatamente a R$ 5,80 e o senhor ainda teria o discurso de combater os supersalários, atacando o andar de cima, entre outras coisas de ineficiência do Estado, claro. Convide Armínio Fraga para uma reunião, queira ouvi-lo abertamente. Além de colher boas ideias, o senhor realizará um ato de grande simbolismo histórico. Presidente, há como arrumar o Brasil ainda no seu mandato e evitar uma grande crise. Mas talvez essa seja sua última chance. Se esperarmos bater no emprego e na inflação para, só então, agir, pode ser tarde demais. Este é o melhor presente de Natal que o país poderia ter. Desejo ao senhor e aos três leitores desta Carta: boas festas. Que todos possam aproveitar o momento para encontrar sentido, propósito, pertencimento e percepção de utilidade. A felicidade caminha por aí. Na falsa esperança de que esta carta chegue ao senhor, Um fraterno abraço, |
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quinta-feira, 21 de novembro de 2024
POBREZA, INFLAÇÃO E RISCO PAÍS EM QUEDA, MILAGRE ECONÔMICO DE MILEI?
domingo, 17 de novembro de 2024
Juros saindo do controle, o que fazer?; o fim do 6x1 é o desastre econôm...
Juros saindo do controle, o que fazer?; o fim do 6x1 é o desastre econômico e social
sábado, 16 de novembro de 2024
quarta-feira, 13 de março de 2024
sábado, 28 de novembro de 2020
Crise financeira: uma constante robusta
Crise financeira: uma constante
robusta
OS ANOS QUE SUCEDEM 1970 não têm
precedentes quanto à volatilidade nos preços das commodities, moedas, imóveis e
ações.
Um grande número de bancos em três,
quatro ou mais países entrou em colapso quase ao mesmo tempo.
Houve quatro ondas de crises
financeiras.
Cada uma foi seguida por uma
recessão, e a desaceleração econômica que começou em 2008 foi a mais severa e
mais global desde a Grande Depressão na década de 1930.
A primeira onda de crises começou nos
anos 1980, quando Brasil, México, Argentina e dez outros países em
desenvolvimento não puderam pagar seus empréstimos de US$ 800 bilhões.
A segunda ocorreu em meados de 1990 e
engolfou o Japão e três países nórdicos – Finlândia, Noruega e Suécia.
A terceira foi a crise financeira
asiática de meados de 1997.
Inicialmente, a Tailândia, a Malásia
e a Indonésia envolveram-se, e, depois, o Brasil, a Coreia do Sul, a Rússia e a
Argentina também sucumbiram.
Em retrospecto, a crise financeira que
impactou o México durante sua transição presidencial no final de 1994 foi a
precursora da tensão no sudeste asiático trinta meses depois.
A quarta onda foi disparada no início
de 2007 com a queda dos preços dos imóveis nos Estados Unidos, Grã-Bretanha,
Espanha, Irlanda e Islândia – e então dos títulos dos governos grego, português
e espanhol.
Cada fase de crises seguiu uma onda
de bolhas de crédito.
As dívidas de grupos posicionados de
modo similar aumentaram a uma taxa duas a três vezes maior do que a taxa de juros
de três, quatro ou mais anos. Geralmente, esses devedores usaram o dinheiro
para comprar imóveis – propriedades residenciais e comerciais.
Entretanto, a primeira onda de bolhas
de crédito envolveu o rápido crescimento de empréstimos dos principais bancos internacionais
para os governos e as empresas estatais no México e em outros países em desenvolvimento,
o que continuou por quase dez anos.
O Japão foi o país-chave na segunda onda
de bolhas, onde os preços dos imóveis e ações aumentaram cinco a seis vezes na
década de 1980.
Ao mesmo tempo, os preços desses dois
tipos de ativos tiveram um surto na Finlândia, Noruega e Suécia.
A terceira onda de bolhas centrou-se
inicialmente na Tailândia e em alguns dos seus vizinhos no sudeste asiático.
A quarta ocorreu principalmente nos
mercados imobiliários dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Espanha, Irlanda e Islândia.
Cada uma dessas bolhas de crédito
envolveu fluxos internacionais de dinheiro, que induziram grandes aumentos nos
valores das moedas e nos preços dos imóveis ou ações nos países que recebiam
esse dinheiro.
As bolhas sempre implodem.
Por definição, envolvem aumentos não
sustentáveis nas dívidas de um grupo de devedores ou nos preços das ações.
A dívida pode aumentar mais rapidamente
do que a receita por alguns poucos anos; não por um período extenso.
Enquanto ela aumenta 20 ou 30% ao
ano, os devedores têm um registro impecável de pagar os juros programados no
prazo.
No devido tempo, a taxa de
crescimento da dívida diminui, e chega a “hora da verdade”, quando não há
dinheiro suficiente para novos empréstimos para pagar os juros dos empréstimos
pendentes.
Então os preços dos imóveis e ações
caem.
Além disso, quando a taxa de
crescimento das dívidas diminui, as moedas sofrem depreciação, e muitas vezes,
de modo muito rápido.
Quando os preços dos imóveis caem, os
devedores são o primeiro grupo a sofrer perdas.
Depois que eles deixam de pagar, as
perdas transferem-se para os financiadores.
A implosão das bolhas imobiliárias e
de ações no Japão levou à falência em massa dos bancos e a um prolongado
período de crescimento abaixo da tendência.
A implosão da bolha dos preços de ativos
na Tailândia, em meados de 1997, disparou declínios nos valores das moedas e
preços dos ativos por toda a região, tendo como resultado recessões.
Entretanto, não houve falências significativas
no mercado financeiro dos Estados Unidos quando os preços das ações caíram 40%
entre 2001 e 2003, e a recessão resultante foi breve e superficial.
A faixa de movimento nos valores das
moedas nacionais desde o início de 1970 foi a maior da história.
Em 1971, os Estados Unidos
abandonaram a paridade de US$ 35 por onça de ouro (aproximadamente US$ 1,23 por
grama) que havia sido estabelecida em 1934.O esforço para manter uma versão
modificada do sistema Bretton Woods de moedas atreladas, formalizado pelo Acordo
Smithsonian (Smithsonian Agreement) de 1972, fracassou, e, no início de 1973,
foi adotado como padrão um regime de taxas de câmbio flutuantes.
No início da década de 1970, a visão
dominante no mercado era de que o marco alemão e o yen japonês poderiam
valorizar-se em 10 a 12%, porque suas taxas de inflação foram mais baixas nos
anos anteriores do que as dos Estados Unidos.
O marco alemão e o yen japonês
valorizaram-se mais rapidamente do que o previsto durante a maior parte dos
anos 1970, e então as duas moedas desvalorizaram-se significativamente na
primeira metade dos anos 1980, embora não até os níveis de 1970.O peso
mexicano, o cruzeiro brasileiro, o peso argentino e as moedas de outros países
em desenvolvimento desvalorizaram-se em 30 a 40% ou mais no começo dos anos
1980.A markka finlandesa, a coroa sueca, a libra britânica, a lira italiana e a
peseta espanhola perderam mais de um terço do seu valor nos últimos seis meses
de 1992.
O peso mexicano foi desvalorizado em
mais da metade durante a transição presidencial no final de 1994.
A maioria das moedas asiáticas – o
baht tailandês, o ringgit malaio, a rupia indonésia e o won sul-coreano –
desvalorizou-se bastante durante a crise financeira asiática do primeiro semestre
de 1997.
O peso argentino perdeu mais de dois
terços do seu valor nos primeiros meses de 2001.
A coroa islandesa perdeu metade do
que valia em 2008.
O euro, a nova moeda que onze membros
da União Europeia adotaram no começo de 1999, logo se desvalorizou em 30%,
valorizou-se em 50% no começo de 2002.As mudanças nos valores dessas moedas
individuais foram muito maiores do que aquelas previstas com base nas
diferenças entre as taxas de inflação dos Estados Unidos e as de outros países.
O overshooting e o undershooting das
moedas nacionais foram muito maiores do que em qualquer período anterior.
Os aumentos nos preços das commodities
nos anos 1970 foram espetaculares.
O valor em dólares do ouro nos
Estados Unidos aumentou de US$ 40 por onça (US$ 1,41 por grama) no início dos
anos 1970 para quase US$ 1.000 dez anos depois.
Era de US$ 450 no final dos anos
1980, e US$ 283 no final dos anos 1990, e excedeu US$ 1.200 no verão de 2010.
O preço do petróleo era de US$ 2,50
por barril no início dos anos 1970, e US$ 40 no fim da década.
Em meados da década de 1980, era de
US$ 12, e ao final da década, alcançou US$ 40 depois da invasão do Kuwait pelo
Iraque.
O preço do petróleo atingiu US$ 150
no começo de 2008 e caiu para menos de US$ 50, aumentando, então, para US$ 80.
O número de falências bancárias
durante as décadas de 1980 e 1990 foi muito, muito maior do que nas décadas
anteriores.
Muitas delas foram eventos isolados:
tanto o Franklin National Bank, em Nova York, quanto o Herstatt AG em Colônia,
Alemanha, fizeram grandes apostas em mudanças de taxas de câmbio no início dos
anos 1970 e, subsequentemente, perderam muito.
O Crédit Lyonnais, que já foi um
banco estatal e o maior da França, aumentou rapidamente seus empréstimos no
esforço de se tornar um banco internacional de primeiro escalão.
Seus empréstimos ruins custaram aos
contribuintes franceses o equivalente a mais de US$ 30 bilhões.
Entretanto, a maioria das falências
de bancos e de outras firmas financeiras foi sistemática, refletindo as
mudanças neste ambiente.
Três mil associações de poupança e
empréstimos dos Estados Unidos faliram nos anos 1980, com perdas de mais de US$
100 bilhões para os contribuintes norte-americanos.
Quando as bolhas dos imóveis e ações
japonesas implodiram, as perdas sofridas pelos bancos japoneses foram muitas
vezes maiores do que seu capital.
Eles passaram a ser implicitamente
braços do governo.
De modo similar, quando o peso
mexicano e as moedas dos países em desenvolvimento se desvalorizaram fortemente
no início dos anos 1980, a maioria dos bancos desses países faliu.
A combinação das grandes perdas com
os empréstimos dos seus devedores domésticos foi mortal, em parte devido às
grandes perdas que eles sofreram em consequência da desvalorização de suas
moedas.
Virtualmente, todos os bancos da
Finlândia, Noruega e Suécia foram à falência quando as bolhas dos seus mercados
imobiliários e de ações implodiram na primeira metade dos anos 1990.
A maioria dos bancos mexicanos faliu
no final de 1994, quando o peso sofreu uma forte desvalorização.
De modo similar, bancos da Tailândia,
Malásia, Coreia do Sul e outros países da região – exceto Hong Kong e Singapura
– faliram depois da crise financeira asiática em meados de 1997.
O forte declínio nos preços dos
imóveis residenciais em países como Estados Unidos, Irlanda e a
Grã-Bretanha, iniciado no final de
2006, levou a grandes investimentos governamentais – “resgates” – nas
instituições financeiras.
Em 2008, muitas das principais
empresas ligadas a bancos de investimentos dos Estados Unidos desapareceram ou
foram forçadas a procurar parceiros mais fortes para fusão.
O governo britânico “nacionalizou” o
Northern Rock, líder em hipotecas do país, e tornou-se o principal acionista do
Banco Real da Escócia (Royal Bank of Scotland).
O governo irlandês fez grandes
investimentos nos seis maiores bancos do país.
Na Islândia, os três maiores bancos
foram assumidos pelo governo.
A Countrywide Financial, líder em
hipotecas dos Estados Unidos, foi adquirida pelo Bank of América que, subsequentemente,
obteve o Merrill Lynch, um dos maiores bancos de investimento dos Estados
Unidos – mas o Bank of América solicitou uma grande injeção de capital do
Tesouro dos Estados Unidos.
O governo do país fez um grande
investimento no Citibank.
O governo holandês proporcionou
capital para a ING, o conglomerado de seguros.
Essas crises financeiras e falências
bancárias foram resultado da implosão das bolhas de preços de ativos e das
fortes desvalorizações das moedas; em muitos casos, as crises monetárias
dispararam as crises bancárias.
O custo dessas crises bancárias foi
extremamente alto, considerando várias métricas – as perdas incorridas pelos
bancos em comparação ao Produto Interno Bruto (PIB) de um país e como parte dos
gastos governamentais, as desacelerações das taxas de crescimento econômico e
aumentos no desemprego e nas diversas recessões.
O grande número de falências
bancárias, as mudanças nos valores monetários e as bolhas nos preços dos ativos
foram relatadas sistematicamente – resultado das rápidas mudanças no ambiente
econômico global.
A década de 1970 ficou marcada pela
inflação acelerada, ou seja, o maior nível registrado de aumento de preços nos Estados
Unidos em época de paz.
O preço de mercado do ouro sofreu um
pico porque alguns investidores confiaram no clichê de que o “ouro é uma boa
proteção contra a inflação”.
Entretanto, o aumento do valor dele
foi muitas vezes maior do que a elevação nos níveis dos preços no mundo.
No fim da década de 1970, os investidores
compravam ouro porque seu preço estava subindo – justamente porque os investidores
o compravam.
A visão prevalecente no final dos
anos 1970 era de que as taxas de inflação no mundo iriam acelerar.
Alguns analistas previram que o preço
do ouro atingiria US$ 2.500 por onça (cerca de US$ 88,18 por grama) e os do
petróleo atingiriam US$ 80 a US$ 90 por barril em 1990.
A faixa de variação dos preços das
ações e obrigações em 1970 foi muito maior do que nas décadas anteriores.
Nessa época as taxas reais de retorno
dos títulos do tesouro e ações nos Estados Unidos foram negativas.
Já em 1990, as taxas reais de retorno
das obrigações e ações foram, em média, de mais de 15% ao ano.
As dívidas externas do Brasil e do
grupo de países em desenvolvimento, como México e Argentina, aumentaram de US$
125 bilhões em 1972 para US$ 800 bilhões em 1982.Um clichê da época era “países
não vão à falência”.
Durante esse período, os devedores
tinham uma tradição excelente de pagar os juros dos seus empréstimos
regularmente.
Então, no último trimestre de 1979, o
Banco Central dos Estados Unidos adotou uma política monetária bastante
restritiva, e as taxas de juros sobre os títulos financeiros norte-americanos dispararam.
O preço do ouro teve um pico em
janeiro de 1980 e então começou a declinar quando as previsões inflacionárias
foram revertidas.
O grande aumento nos preços dos
imóveis e das ações no Japão durante a década de 1980 foi associado com uma
“explosão” de crescimento da economia nos últimos anos.
Japan as Number One: Lessons for América
(Japão como Número Um: Lições para os Estados Unidos)1 foi um best-seller em
Tóquio.
Os bancos japoneses aumentaram seus
depósitos, empréstimos e capital muito mais rapidamente do que os bancos com
base nos Estados Unidos, na Alemanha e em outros países europeus.
Na época, sete ou oito dos dez
maiores bancos do mundo eram japoneses.
Então, no início da década de 1990,
os preços dos imóveis e ações no Japão implodiram.
Em poucos anos, muitos dos principais
bancos e instituições financeiras do país estavam quebrados, arruinados,
falidos e insolventes, e continuaram nos negócios somente devido a um acordo
implícito de que o governo japonês protegeria os correntistas de perdas
financeiras se os bancos fossem fechados.
Uma história impactante sobre uma
mania e uma quebra – mas sem pânico, porque os correntistas acreditavam que o governo
iria socializar as perdas com os empréstimos.
Três dos países nórdicos – Noruega,
Suécia e Finlândia – experimentaram bolhas em seus mercados imobiliários e de
ações na mesma época, como resultado de fluxos de entrada de dinheiro
associados com a liberalização financeira.
Suas bolhas estouraram
aproximadamente no mesmo período em que a do Japão.
O México foi uma das grandes
histórias de sucesso econômico no início dos anos 1990, quando se preparava
para entrar no Tratado Norte-Americano de Livre Comércio.
O Banco do México adotou uma política
monetária altamente restritiva que reduziu a taxa de inflação de 140% para
menos de 10% em quatro anos.
Durante o mesmo período, centenas de
empresas estatais foram privatizadas, e as regulamentações e restrições para
negócios no país foram liberadas.
O dinheiro fluiu para o país porque
as taxas reais de retorno dos títulos governamentais e as de lucro sobre os
investimentos industriais estavam elevadas.
As expectativas universais eram de
que o México se tornaria uma base de baixo custo para produção de automóveis e
máquinas de lavar, e outros bens manufaturados para os mercados dos Estados
Unidos e Canadá.
O grande fluxo de dinheiro levou a
uma valorização real do peso, o déficit comercial do país aumentou para 7% e
sua dívida externa, para 60% do seu Produto Interno Bruto.
Então, diversos incidentes políticos
associados com a eleição presidencial de 1994 levaram a um forte declínio no
fluxo de capitais, e o governo mexicano não foi capaz de suportar o peso.
Novamente a desvalorização da moeda
resultou em grandes perdas nos empréstimos, e a maioria dos bancos mexicanos –
que haviam sido privatizados nos anos anteriores – faliu.
Em meados dos anos 1990, os preços
dos imóveis e ações dispararam na Tailândia, Malásia e Indonésia.
Essas eram as “economias dragão” que
pareciam fortes candidatas a emular os sucessos econômicos dos “tigres
asiáticos” – Taiwan, Coreia do Sul, Hong Kong e Singapura – da geração anterior.
Empresas sediadas no Japão, na Europa
e nos Estados Unidos investiram nesses países como fornecedores de baixo custo,
assim como as empresas dos Estados Unidos e de outros países haviam investido
no México como fornecedor para o mercado norte-americano.
Os bancos europeus e japoneses também
aumentaram rapidamente seus empréstimos para empresas e bancos nesses países.
Os financiadores domésticos na Tailândia
experimentaram então grandes perdas em seus empréstimos domésticos no segundo e
no terceiro trimestre de 1996, porque não haviam sido criteriosos o suficiente
nas avaliações da intenção dos clientes tailandeses em pagar os juros das suas
dívidas.
Financiadores estrangeiros reduziram
drasticamente suas compras de títulos tailandeses, e então o Banco da Tailândia,
como o Banco do México meses antes, ficou sem dinheiro para suportar sua moeda.
O grande declínio do valor do baht no
início de julho de 1997 levou a fugas de capital nos demais países asiáticos e
suas moedas (exceto pelo dólar de Hong Kong e o yuan chinês, que continuaram
firmemente atrelados ao dólar norte-americano) se desvalorizaram em 30% ou mais.
A rúpia indonésia perdeu 80% do seu
valor.
A maioria dos bancos da área – exceto
aqueles em Hong Kong e Singapura – teria ido à falência em qualquer teste de
mercado razoável.
A crise espalhou-se para a Rússia; o
rublo despencou e o sistema bancário do país entrou em colapso no começo de
1998.
Os investidores ficaram então mais cuidadosos:
venderam títulos arriscados e compraram títulos governamentais dos Estados Unidos,
mais seguros, e as mudanças no relacionamento entre as taxas de juros desses
dois grupos de títulos levou ao colapso do Long-Term Capital Management, na
época o maior fundo de hedge do país.
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